O Desenvolvimento Humano Como Meta
O que é desenvolvimento humano ?
Há uma área da psicologia chamada psicologia do desenvolvimento. Sua função é estudar a forma como o ser humano se desenvolve, com a finalidade de corrigir desvios e estimular o progresso adequado do indivíduo desde o nascimento até a idade adulta.
A psicologia do desenvolvimento foi, e ainda é, um capítulo que interessa sobremaneira ao campo da educação, visto que o desenvolvimento das crianças e dos jovens é uma preocupação bastante importante. Com o crescente cuidado com a qualificação das pessoas no ambiente de trabalho, esse assunto estendeu-se as empresas.
Interessa a este capítulo observar o desenvolvimento das pessoas em quatro aspectos: físico motor; intelectual, afetivo- emocional e social. Claro que o desenvolvimento físico- motor diz mais a respeito à infância, pois refere-se à maturação neurofisiológica, à capacidade de manipular objetos e ao controle dos movimentos do próprio corpo, e maior desenvolvimento nessa área ocorre até os 2 anos de idade. Lesões físicas ou psicológicas nessa idade podem atrasar esse desenvolvimento, e às vezes são necessárias correções mesmo na idade adulta.
Já o desenvolvimento mental é fruto de uma construção contínua, em que se buscam a maturidade e a solidificação de estruturas mentais saudáveis. Ao que tudo indica, o pleno desenvolvimento, em que se atinge o ideal teórico, não é alcançado de modo satisfatório nunca. Eis porque o desenvolvimento humano é ou deveria ser, uma preocupação permanente para as escolas, para as organizações e, principalmente, para as próprias pessoas.
Dois aspectos são relevantes nesse capítulo da psicologia: a avaliação dos graus de desenvolvimento e a aplicação de ações corretivas a possíveis desvios. Várias teorias foram desenvolvidas a partir de observações, pesquisas, acompanhamentos de indivíduos, estudos de casos clínicos etc. Entre todas as teorias, destaca-se o trabalho do psicólogo e biólogo suíço Jean Piaget. A extensão de sua obra e seu rigor científico transformaram Piaget na mais importante personalidade da área do desenvolvimento de pessoas.
A avaliação do grau de desenvolvimento é facilitada pelo uso de instrumentos de psicometria. Já a ação de desenvolvimento conta com duas ferra mentas importantes: a psicoterapia e a educação. Enquanto a psicoterapia é uma técnica a ser aplicada a uma pessoa de modo individual, ou no máximo a pequenos grupos, a educação é mais abrangente, podendo atingir uma população significativamente maior.
A máquina do tempo
Quando falamos sobre desenvolvimento humano, devemos considerar que o autoconhecimento é fundamental, e idealmente é do que primeiro devemos tratar. Acontece muito de termos toda a determinação e boa vontade compreender e aceitar a nós mesmos, aos outros e ao mundo – faz todo o sentido! -, mas, ainda assim, derraparmos, submetidos à influência de mitos, estereótipos e paradigmas, mais um contêiner de situações mal resolvidas acumuladas durante toda a vida.
A idéia de máquina do tempo é bastante antiga e está ligada menos à curiosidade de conhecer o futuro e mais ao desejo de voltar ao passado com a finalidade de modifilicá-lo e, com isso, interferir no presente.
A maioria das pessoas que se dizem seduzidas pela idéia de voltar no tempo está motivada para fazer alguma coisa que não fez ou para não fazer algo que se arrependeu de ter feito. Nesse sentido, a máquina do tempo já existe, é barata e acessível a todos: é a própria consciência. A percepção saudável da realidade permite que façamos uma conexão lúcida entre as experiências presentes e o significado do passado. Alterações na experiência presente (de um indivíduo ou de uma sociedade) modificam o significado do passado. O passado não deve ser compreendido apenas nos próprios termos, mas também em termos das percepções do presente.
A maioria das pessoas que se dizem seduzidas pela idéia de voltar no tempo está motivada para fazer alguma coisa que não fez ou para não fazer algo que se arrependeu de ter feito. Nesse sentido, a máquina do tempo já existe, é barata e acessível a todos: é a própria consciência. A percepção saudável da realidade permite que façamos uma conexão lúcida entre as experiências presentes e o significado do passado. Alterações na experiência presente (de um indivíduo ou de uma sociedade) modificam o significado do passado. O passado não deve ser compreendido apenas nos próprios termos, mas também em termos das percepções do presente.
À medida que amadurece, o homem vai transformando a maneira de ver o mundo, pois sua escala de valores sofre modificações naturais. O que parecia ter imensa importância aos 17 anos pode tornar-se ridículo aos 32. Seguindo o mesmo raciocínio, quando terminamos o colégio não temos as preocupações que passamos a ter quando terminamos a faculdade. Nada mais lógico, pois a idade muda os centros de interesse e, com eles, muda a importância dos fatos que constroem a realidade que nos cerca.
Fatos vividos e não totalmente resolvidos emocionalmente costumam acumular-se em nosso inconsciente sob a forma de recalques, que se mani festam e interferem em nosso comportamento sem que tenhamos consciência disso – até porque eles habitam, como já foi dito, a região inconsciente da mente. É o passado interferindo no presente. São velhos valores, totalmente desatualizados e invalidados, mas presentes como lembranças inconscientes. Está na hora de acionar a máquina do tempo. Como? Ora, abrindo espaço para o exercício do autoconhecimento.
Fatos vividos e não totalmente resolvidos emocionalmente costumam acumular-se em nosso inconsciente sob a forma de recalques, que se mani festam e interferem em nosso comportamento sem que tenhamos consciência disso – até porque eles habitam, como já foi dito, a região inconsciente da mente. É o passado interferindo no presente. São velhos valores, totalmente desatualizados e invalidados, mas presentes como lembranças inconscientes. Está na hora de acionar a máquina do tempo. Como? Ora, abrindo espaço para o exercício do autoconhecimento.
A maioria dos erros que cometemos na vida deriva da falta de percepção de nossos alcances e de nossos limites. Aumentar o conhecimento de nós mesmos permite o desenvolvimento de duas qualidades imprescindíveis ao bom funcionamento de nossa vida: a auto-estima e a autoconfiança..
O inconsciente é parte do aparelho psíquico regida por leis próprias de funcionamento. Não dispõe, por exemplo, das noções de tempo. Não sabe o que é passado e presente. E é justamente no inconsciente que
se encontram os conteúdos reprimidos, que não têm acesso ao consciente por causa de censuras internas.
Conteúdos anteriormente conscientes, quando reprimidos por força de algum fato externo, sedimentam-se no inconsciente e podem se transformar em recalques, provocando limitações por toda a vida.
Como falta ao inconsciente a noção de tempo, o passado vira presente e nos; aprisiona pelos sentimentos que já deveriam ter deixado de existir, uma vez que nossos valores, assim como os do mundo, mudaram. Costumamos dizer que precisamos nos atualizar permanentemente, mas levamos isso ao pé da letra apenas no mundo profissional, intelectual e tecnológico.
Deveríamos também atualizar a nossa percepção de nós mesmos, e não apenas do mundo que nos rodeia. Visitar o passado tem esta grande vantagem: a de limpar os escaninhos. Chamamos esse procedimento de análise, que tanto pode ser com o auxílio de outra pessoa, um profissional de psicologia – o que às vezes é indispensável, como também recorrendo-se à prática da auto-análise através da interiorização. Sem medos, sem pudores e, principalmente, sem pena de si mesmo. É um exercício fascinante. “Conhece-te a ti mesmo” era a frase predileta de Sócrates, alguém profundamente comprometido com o que chamamos aqui de fator humano, o que parece estar além da competência. Acredite, ele sabia o que dizia!
Deveríamos também atualizar a nossa percepção de nós mesmos, e não apenas do mundo que nos rodeia. Visitar o passado tem esta grande vantagem: a de limpar os escaninhos. Chamamos esse procedimento de análise, que tanto pode ser com o auxílio de outra pessoa, um profissional de psicologia – o que às vezes é indispensável, como também recorrendo-se à prática da auto-análise através da interiorização. Sem medos, sem pudores e, principalmente, sem pena de si mesmo. É um exercício fascinante. “Conhece-te a ti mesmo” era a frase predileta de Sócrates, alguém profundamente comprometido com o que chamamos aqui de fator humano, o que parece estar além da competência. Acredite, ele sabia o que dizia!
Você em uma dinâmica de grupo
O mercado não é uma entidade autônoma e desconectada dos demais representantes da civilização. Muda o mundo, muda a sociedade, mudam as pessoas, muda o mercado - que eventualmente muda o mundo, e assim por diante. Para não perder o bonde da História, precisamos nos manter equilibrados, inteiros, temos de buscar conhecer a nós mesmos sempre, em um processo contínuo de auto-desenvolvimento.
Digamos que você esteja participando da seleção para um emprego e a parte mais importante dessa seleção, a entrevista, será conduzida por seu provável futuro chefe. Você é uma pessoa bem formada, com um currículo irretocável, e acaba de terminar, um MBA numa escola respeitável. Tudo parece conspirar a seu favor, inclusive o fato de você já ter sido pré-selecionado.
Mas nada disso ajuda você a ficar calmo. As pessoas experientes com as quais conversou, os artigos que leu nas revistas especializadas e os conselhos que ainda lembra de seus professores, tudo aponta para a mesma questão: a entrevista é a parte mais importante do processo seletivo porque nela são avaliadas as qualidades humanas do candidato; e atualmente essas qualidades são mais valorizadas do que as técnicas, pois a empresa pode completar a capacitação, mas personalidade e caráter devem vir prontos.
Então você se põe a fazer uma lista das características pessoais que a empresa provavelmente vai valorizar - ou as descobre em algum manual prático - e pensa em treinar a maneira de demonstrar que as possui. Entre as principais características você coloca:
Mas espere um pouco. Isso quer dizer que eu tenho de ser tudo isso, e não apenas tentar ser? Mas como posso estar pronto, com todas as qualidades que a empresa deseja de mim, antes mesmo de começar a trabalhar e a entender com mais clareza os desejos impostos pela cultura organizacional?
Essa é uma pergunta importante e introduz várias outras. Afinal, tenho de ser o que sou ou ser o que a empresa quer que eu seja? Será que só terei sucesso se houver uma feliz coincidência entre o que sou e o que os outros querem que eu seja? Afinal, o que vale mais: minha personalidade ou minha capacidade de adaptação? Quem é que se dá melhor hoje na selva corporativa: o persornalíssimo crocodilo ou o adaptável camaleão? É o que veremos a seguir.
Seja você mesmo!
O tema autodesenvolvimento me faz lembrar três personagens da peça Cyrano de Bergerac, de Edmond Rostand, ambientada na França do século XVII: Roxana, Cristiano e Cyrano.
Roxana era uma mulher belíssima: a mais cobiçada do lugar. Cristiano era um rapagão sarado, bonito e desejado pelas mulheres. Só tinha um problema: quando abria a boca não saia nada de valor. Cyrano, por sua vez, era exatamente o contrário: um poeta nato, dotado de um humor agradável e de uma grande cultura, que encantava todas as pessoas. Mas ele também tinha um problema: ostentava um nariz maior que sua cultura, o que fazia de sua figura algo entre o grotesco e cômico.
Ambos estavam apaixonados por Roxana. Cyrano, em um gesto de altruísmo, acreditando que era mais fácil corrigir a burrice de Cristiano do que a própria feiura, resolveu ajudar o amigo. Passou a escrever as falas que Cristiano teria de usar para conquistar a bela mulher. Em algumas situações, Cyrano colocava-se à sombra de alguma árvore, declamando poemas enquanto o amigo apenas gesticulava sob a janela da desejada mocinha.
O fim dessa história é bem conhecido. Roxana não se deixou enganar por muito tempo e acabou descobrindo que o autor de tão belas frases não era o guapo Cristiano, mas o feio e narigudo Cyrano. E este, surpreso, acabou percebendo que tinha, sim, alguma chance com a amada, pois ela estava interessada mais em sensibilidade e sinceridade do que em estampa e superficialidade.
O erro de Cristiano não foi, absolutamente, ter aceitado a ajuda do amigo. Seu erro foi não ter aprendido com ele a ser melhor. Tentou ser o que não era, e não melhorar o que sempre fora. Ninguém precisa nascer poeta, bem como ninguém nasce empreendedor,comunicativo, responsável, líder, flexível, colaborativo, ambicioso. Quem sabe todos nós já nascemos com essas características tão desejadas no mercado de trabalho e que se encontram ocultas e latentes, precisando apenas da percepção de sua existência e de algum esforço para desenvolvê-las.
Se você é como Cristiano e a empresa é sua Roxana, não tente ser igual a seus ídolos, professores ou articulistas de revistas especializadas. Seja você mesmo, deixando claro para si e para seu entrevistador que está aprendendo sempre, e não apenas repetindo ladainhas pré- escritas. Lembre-se de Cyrano, que, embora tenha duvidado de si próprio no início, acabou se dando bem mesmo com sua imperfeição.
Abraço a todos !
Fonte: Mussak, Eugenio. Metacompetência: uma nova visão do trabalho e da realização pessoal. São Paulo: Editora Gente, 2003.



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